António abrigara-se á sombra acolhedora de uma das muitas árvores que abundavam por ali.
Não que o Sol fosse demasiado forte para ser suportado, mas sómente porque havia entendido que ali se sentiria melhor.
Pensava em variadissimas coisas, e dava a si mesmo o direito de "viajar" pela sua vida.
Encontrava-se ele neste patamar de pensamento quando de súbito " voz agradável ao seu ouvido lhe sussurrou: "olá, estás por aqui ?"
Ficou surpreendido, e olhando á sua volta sentiu que não estava só, embora não conseguisse descortinar ninguém.
De novo "alguém" lhe disse: "nós tinhamos dito que voltariamos, quando tu necessitasses, e por isso aqui estamos. Queres falar um pouquinho ?"
Compreendeu então o que se estava a passar.
Os seus "fantasmas" tinham voltado.
Eles comprendiam-no e estavam ali somente para o escutarem.
Representavam toda a sua vida. Eram o somatório de todas as suas experiências terrenas e o resultado de todas as conclusões espirituais a que chegara.
Em suma, eram ele mesmo transpostos para um plano etéreo em que tudo se interligava de um modo tão subtil, que a simples definição de "ser" deixava de fazer sentido. Ali tudo "era" sómente.
Ali, os segredos ciosamente guardados de uma existência mais ou menos turbulenta ou pacifica, e que observados de um ponto de vista estritamente humano, seriam decerto ciosamente guardados, deixavam de fazer sentido, pois que não havia razão para que os factos fossem ocultados de quem os havia vivido, ou pelas suas próprias "memórias".
Viu, os meninos brincando com pé descalço sobre a terra, rindo de coisas simplesmente inocentes, sómente pelo prazer de rir.
Viu os jovens passeando e tentando descortinar o prazer de atrair o sexo oposto, descobrindo o que de melhor a vida tem.
Viu os adolescentes fazendo coisas menos boas com a falsa noção de que o mundo lhe pertencia, e que sómente eles estavam correctos, e sentiu-se triste.
Viu adultos enganando outros, e sentiu a dôr de quem é enganado e mesmo assim perdoa.
Viu e sentiu o arrependimento estampado na face de quem engana.
Viu as consequências guardadas para quem errou, e chorou, não só ele mas "eles".
Relembrou mais uma vez aqueles que havia desprezado e magoado, e mentalmente pediu-lhes perdão.
Falou com pessoas que adorava sem saber, e que hoje (reconhecia) que lhe fariam muita falta.
Sentiu-se exausto, e recostando-se na erva adormeceu. Quando acordou tudo não passava de um belo sonho. Sentia-se triste e confuso, mas decidira que como das demais vezes, teria de lutar.
Por vezes achava que essa era a principal função que tinha na vida.
Mas se assim era, então assim seria feito.
Levantou-se e caminhou sem saber muito bem para onde, mas caminhou.
O futuro seria o que tivesse de ser, mas mesmo assim lutaria até ao fim.
Só sabia ser assim. E enquanto uma lágrima lhe escorria sobre a face ele caminhava rumo a um amanhã incerto, com a certeza de que tudo faria para que o "depois de amanhã" fosse simplesmente melhor.
Não que o Sol fosse demasiado forte para ser suportado, mas sómente porque havia entendido que ali se sentiria melhor.
Pensava em variadissimas coisas, e dava a si mesmo o direito de "viajar" pela sua vida.
Encontrava-se ele neste patamar de pensamento quando de súbito " voz agradável ao seu ouvido lhe sussurrou: "olá, estás por aqui ?"
Ficou surpreendido, e olhando á sua volta sentiu que não estava só, embora não conseguisse descortinar ninguém.
De novo "alguém" lhe disse: "nós tinhamos dito que voltariamos, quando tu necessitasses, e por isso aqui estamos. Queres falar um pouquinho ?"
Compreendeu então o que se estava a passar.
Os seus "fantasmas" tinham voltado.
Eles comprendiam-no e estavam ali somente para o escutarem.
Representavam toda a sua vida. Eram o somatório de todas as suas experiências terrenas e o resultado de todas as conclusões espirituais a que chegara.
Em suma, eram ele mesmo transpostos para um plano etéreo em que tudo se interligava de um modo tão subtil, que a simples definição de "ser" deixava de fazer sentido. Ali tudo "era" sómente.
Ali, os segredos ciosamente guardados de uma existência mais ou menos turbulenta ou pacifica, e que observados de um ponto de vista estritamente humano, seriam decerto ciosamente guardados, deixavam de fazer sentido, pois que não havia razão para que os factos fossem ocultados de quem os havia vivido, ou pelas suas próprias "memórias".
Viu, os meninos brincando com pé descalço sobre a terra, rindo de coisas simplesmente inocentes, sómente pelo prazer de rir.
Viu os jovens passeando e tentando descortinar o prazer de atrair o sexo oposto, descobrindo o que de melhor a vida tem.
Viu os adolescentes fazendo coisas menos boas com a falsa noção de que o mundo lhe pertencia, e que sómente eles estavam correctos, e sentiu-se triste.
Viu adultos enganando outros, e sentiu a dôr de quem é enganado e mesmo assim perdoa.
Viu e sentiu o arrependimento estampado na face de quem engana.
Viu as consequências guardadas para quem errou, e chorou, não só ele mas "eles".
Relembrou mais uma vez aqueles que havia desprezado e magoado, e mentalmente pediu-lhes perdão.
Falou com pessoas que adorava sem saber, e que hoje (reconhecia) que lhe fariam muita falta.
Sentiu-se exausto, e recostando-se na erva adormeceu. Quando acordou tudo não passava de um belo sonho. Sentia-se triste e confuso, mas decidira que como das demais vezes, teria de lutar.
Por vezes achava que essa era a principal função que tinha na vida.
Mas se assim era, então assim seria feito.
Levantou-se e caminhou sem saber muito bem para onde, mas caminhou.
O futuro seria o que tivesse de ser, mas mesmo assim lutaria até ao fim.
Só sabia ser assim. E enquanto uma lágrima lhe escorria sobre a face ele caminhava rumo a um amanhã incerto, com a certeza de que tudo faria para que o "depois de amanhã" fosse simplesmente melhor.
